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Inclusão: alunos do IFPA dão aula de superação

  • Publicado: Segunda, 31 de Agosto de 2020, 18h38
  • Última atualização em Segunda, 31 de Agosto de 2020, 18h38
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Inclusão é um dos compromissos que o IFPA, como instituição pública de ensino, estabeleceu como um de seus valores. No contexto educacional, a inclusão se refere a dar oportunidade às diferentes pessoas, com as suas especificidades, a terem acesso a uma formação de qualidade. Entre os oito estudantes do campus Tucuruí identificados com alguma deficiência (visual, atraso cognitivo, incoordenação motora etc.), hoje serão contadas as histórias de dois deles, exemplos de inspiração para toda a comunidade acadêmica. 

Aos 7 anos de idade, Antonio Paulo começou a notar a perda gradativa da visão devido a uma doença chamada retinose pigmentar (doença hereditária que causa degeneração da retina). Ele conta que inicialmente enfrentou problemas com a aceitação dessa condição e que, como aluno, foi se desmotivando em relação aos estudos, tanto pelos desafios que estavam surgindo quanto pela falta de sensibilidade de alguns professores. Aos 12 anos, na 5ª série, Antonio desistiu de ir à escola. Vários anos depois, ele conheceu um amigo, que foi um exemplo de superação, e isso o motivou a voltar a estudar. 

Aos 32 anos, Antonio retornou à escola e cursou o Ensino Fundamental pelo EJA (Programa de Educação de Jovens e Adultos). Em seguida, ingressou no curso de Manutenção e Suporte em Informática do IFPA. Foram 4 anos, Antonio enfrentou vários desafios, mas dessa vez não desistiu e pôde se capacitar e vivenciar experiências. Ele conta que obteve apoio de colegas, professores e ferramentas que usa para o estudo, como o Braille e aplicativos de voz (Dosvox, NVDA e outros sistemas). Outra ajuda importante que Antonio recebeu foi do Núcleo de Atendimento às Pessoas com Necessidades Educacionais Específicas (NAPNE), setor do IFPA que auxilia alunos como o Antonio durante a sua trajetória acadêmica na instituição. Com o NAPNE, por exemplo, ele teve acesso a materiais em Braille. 

Porém, a superação de Antonio não parou por aí. Em 2019, por meio do Enem, ele retornou ao IFPA para estudar no curso superior de Tecnologia em Redes de Computadores. Além de ser considerado um aluno exemplar, Antonio também é servidor público, ocupa o cargo de auxiliar administrativo na instituição onde trabalha. Hoje, a visão dele corresponde a cerca de 5%, sendo considerado cego legal. Na prática, Antonio percebe imagens em formas de vultos e não consegue identificar as cores. 

Como alguém que venceu por meio da educação, Antonio sabe bem a importância dos estudos. “A educação para mim é muito importante, pois eu sou fruto [dela]. A educação muda a realidade do cidadão. Hoje, eu sou muito feliz, porque através da educação estou conseguindo alcançar os meus objetivos. Hoje a minha realidade é outra”, declara. Ele pretende se formar e atuar no mercado de trabalho ajudando pessoas que pretendem seguir pela área de tecnologia, dividindo conhecimento e transmitindo experiência por meio de ferramentas que auxiliem alunos com deficiência visual. 

Assim como Antonio Paulo, Leonardo Braga também é deficiente visual. Aluno do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas e egresso do curso técnico integrado em Manutenção e Suporte em Informática, Leonardo é cego total. Nasceu enxergando, mas, por volta de um ano e meio de idade, a família percebeu que Leonardo apresentava falhas na visão. Após consultas e exames, ele foi diagnosticado com retinoblastoma (um tipo de câncer ocular). Aos três anos, perdeu a visão completamente. 

Inicialmente, a questão dos estudos foi difícil para a família. Porém, aos quatro anos, Leonardo começou a ir para a escola e ser alfabetizado em Braille. Entre as dificuldades da vida escolar, ele aponta as constantes viagens para acompanhar a saúde, o que prejudica a sua assiduidade nas aulas. Em 2014, foi aprovado no IFPA e disse que inicialmente foi uma fase de desafios e adaptação, tanto para ele quanto para os profissionais da instituição. Mas esclarece que contou com apoio de amigos, do NAPNE e de vários professores que se dispuseram a aprender a lidar com um aluno cego. Ele conta que em outras escolas costumava fazer a prova em um ambiente separado dos demais alunos devido às suas especificidades e algo que o marcou muito foi uma ocasião, no IFPA, em que fez a prova na sala de aula. “Pude me sentir ‘normal”, comenta. 

Como aluno do instituto, Leonardo também pôde se envolver em esportes, danças e lutas, graças às adaptações na disciplina de Educação Física. Aliás, ele é medalhista de ouro pelo time de vôlei de 2018 nos Jogos Internos da instituição. Além disso, Leonardo também participa da Banda de Música do campus como baterista. “O IFPA me educou para saber lidar com um mundo com as dificuldades, com as barreiras, que existem e sempre vão existir, principalmente para as pessoas com deficiência. E o IFPA me educou de uma maneira na qual eu possa lidar com essas dificuldades e, dependendo do quão difícil elas forem, eu estou capacitado, educado para procurar a melhor saída, o lado melhor das coisas”, afirma. 

Leonardo, que sempre estudou em escola pública, tem o sonho de proporcionar uma vida melhor para a sua família e, apesar dos desafios, ele se mostra confiante em relação ao futuro. “A dificuldade vai existir: na vida das pessoas ditas normais e na vida das pessoas que têm alguma deficiência, mas, o fato dela abalar ou não você, depende em primeiro lugar de si mesmo e, em segundo lugar, da sua família. Então família, amigos e você são os principais pilares para superar as dificuldades que virão”, finaliza, agradecendo também aos profissionais da educação que o “ajudaram muito”.

 

Texto: Maurício Sousa – Ascom/IFPA Campus Tucuruí.

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